Sunday, July 15, 2007

Sentir o Hip Hop

Um relato a sério e sem metáforas.

Não sinto o hip hop. Reconheço-lhe os valores musicais de técnica e rima, mas não entendo como um estilo musical pode ser tão extremista no sentido de deixar uma propria composição musical a meio, para um MC improvisar, ou para o pianista improvisar ou para o inevitavel improviso do DJ a cuspir com os discos. É que a formula e boa, são letras de intervenção com palavras cruas, reais que são apenas as várias experiencias de vida dos adolescentes de hoje, por isso existe publico que gosta e muito.
Foram 2 concertos do Sam the Kid. O Sam é e pode ser um grande performer. Vi alguem com uma vontade enorme de fazer o Hip Hop crescer construtivamente em Portugal, mas tudo tem de ter uma continuidade. Os Discos não são de todo os espectáculos ao vivo, aliás facilmente se tornam inimigos um do outro devido as muitas limitações que um espectaculo ao vivo impõe. É essa a transição que se impõe, mesmo antes de mostrar ao publico que sabemos improvisar. Primeiro mostramos que sabemos fazer tão bem como fulanos ou cicranos, que temos um espectáculo solido, depois abrilhantamos com o improviso, com o que cada um dos que contribuem para o espectáculo sabe para além do "by the book".
Como disse no inicio, não sinto o Hip Hop, não me identifico com a "vibe". Gosto de ouvir os Da Weasel durante 10 minutos e chega, ouço um pouco de BossAC outros 10 minutos, e até posso ouvir a Diana que quando crecer mais um pouco terá uma excelente voz, porém acho maçador. Lembro-me sempre de comparar o Hip Hop e quem o toca a Sindicatos fabris... a conversa e muita mas a atitude... ou então de uma frase que uma vez li num filme americano em que um miudo comentava que, os negros americanos ao cantarem assim era porque ou estavam zangados ou queriam apenas ter sexo. É de intervenção sim e de Improviso tambem, mas o improviso pode ser um pesadelo e arruinar algo de bom e solido que ja se tem.
Após 9 anos a Operar inumeras bandas de vários estilos musicais, percebi que me tinha escapado o Hip Hop! E ainda bem, porque quando se tem de construir um espectáculo tão intenso, tão virado para o publico, tão... marcante e potente, é preciso gostar, é preciso cantar as letras. Como nos outros estilos musicais...talvez.
Deixo de fazer Sam the Kid porque não me identifico, e sou Honesto QB para tomar esta decisão. Sinto-me bem, melhor do que continuar a ganhar um dinheiro que não me dá gosto ganhar so porque o tenho de ganhar.
Já foi assim no passado, será assim no futuro, sempre. Sou eu que sou assim.
Boa sorte Sam, Boa sorte para mim tambem.

1 comment:

Paula Ramos said...

Muito Bom! Palavras com "boca".
Há uma parte que gosto particularmente(5*)Força aí, muitas "vibes" de L E T R A S!!!
Beijo PR